Artigo publicado na Revista Melhor, Coluna do Tio, janeiro de 2000
Reflexão proposta por Wanderley Ribeiro Pires Filho, 26 anos, diretor da Promter Consultoria e Eventos.

Umas das principais questões levantadas no mundo da gestão contemporânea que interessa diretamente aos jovens executivos, consiste no fato de ser ou não necessário existir um novo perfil para o líder desta época que vivemos. Nas inúmeras pesquisas que realizamos através do Instituto MVC chegamos a diversas conclusões importantes em relação a esta matéria. Uma delas refere-se à consistente incidência do que seriam os “atributos permanentes” de um líder, cuja permanência na lista de prioridades transcendem a função do tempo. Características como honesto, competente, trabalhador, persistente, dedicado, comprometido, corajoso fazem parte de todos os estudos de liderança já realizados. Por isto mesmo, estes atributos devem permanecer no rol das inspirações a serem incorporadas pelos jovens líderes que estarão assumindo papéis importantes nas organizações do futuro.

Na presente matéria procuraremos, entretanto, enfatizar somente as características transformacionais do líder bem sucedido, que compreendem aquelas exigidas especificamente por estes novos tempos. Afinal de contas, vivemos hoje em meio a um ritmo de mudanças sem precedentes no mundo, no qual a massa de conhecimento de tecnologia dobra a cada ano. É natural, portanto, que ocorram sérias modificações estruturais nas qualificações deste novo líder, tanto em suas demonstrações de competitividade no ambiente externo, como ambiente interno. Desta forma, sem a pretensão de esgotar o assunto, indicamos a seguir algumas novas qualificações:

  • Profeta da mudança – Um líder destes novos tempos deve antes e acima de tudo ser um profundo aprendiz, estudioso e conhecedor do ambiente estratégico no qual sua equipe e organização estejam inseridas. Transpondo os limites até então vigentes, o novo profissional deverá compartilhar este conhecimento com seus liderados de forma madura e profunda;
    Instigador de mutantes – Sua função seguinte é persuadir, instigar e cutucar seus liderados nos limites da obsessão para que eles também sejam amigos, partícipes e implementadores de processos modificadores flexíveis. O lema de sua equipe será “Existirão dois tipos de empresas em 2020 – as que mudaram e as que desapareceram”;
Liderança

Liderança

  • Negociador de desafios – Saindo (aliás, de maneira rápida e profunda) do totalitarismo ele/ela deverá ter a nobre capacidade de estabelecer um acordo mútuo (sem abandonar sua posição assertiva de líder) os desafios que serão perseguidos pelo seu time;
  • Criador de Visões – Devido à época de caos e complexidade que vivemos, o novo líder deverá ter a capacidade de construir visões sobre o futuro que liberem o potencial humano de cada liderado e canalizam suas energias para uma direção desejada;
  • Conselheiro amigo – Mais do que humano, o líder desses novos tempos deverá simplesmente tratar sua equipe como seres humanos, entendendo-os profundamente em sua estrutura psicológica, operando, em verdade, como um tutor. Deverá haver entendimento natural sobre as dificuldades que as pessoas apresentam ao lidar com o momento de turbulência e incerteza existente;
  • Amar o que faz – Mais do que tudo, o líder do século XXI será aquele/aquela que conseguirá passar através da sua crença, o comprometimento, a energia e a paixão por aquilo que faz. O amor pelo trabalho será o combustível necessário às suas atividades profissionais. Se não convencer pela emoção, ele poderá então racionalizar e divulgar por meio das palavras: “Só amando o que você faz, você fará tão bem feito a ponto de vencer os desafios e a competitividade desses tempos”.